⚖️ O Tribunal das Sombras Inventadas e a Balança de Têmis
📜 Prólogo: A Vila de Aléthopolis
🏛️ Nos tempos em que a verdade ainda precisava defender-se de quem lucrava com sua ausência, existia uma vila chamada Aléthopolis — o Lugar Onde os Fatos Deveriam Reinar. No centro, o Tribunal dos Registros, guardado por escribas que não sofriam de “criatividade excessiva”. Ali, a deusa Têmis mantinha sua venda, pois sabia que a justiça não é um concurso de popularidade ou de quem grita mais alto na taverna.
🗣️ Enquanto isso, ao redor, os Salões do Ouvi-Dizer fervilhavam. Era o habitat natural de criaturas que transformavam o “eu acho” em “é fato” e a inveja em “diagnóstico”.
👥 I. Os Personagens da Contenda
📂 No Tribunal, trabalhava Mártys. Um servidor cuja maior ousadia era manter seus documentos em dia. Ele não tinha sobrenomes pomposos, mas tinha algo mais perigoso para os mentirosos: provas. Sua pasta era um arsenal de laudos oficiais, boletins de ocorrência e portarias assinadas por quem realmente detinha a caneta da lei.
👺 Do outro lado, os Tecelões do Vácuo. Liderados por Pseudomántis, o mestre da clarividência seletiva. Ele não precisava de exames para diagnosticar, nem de leis para julgar; bastava-lhe o vácuo de sua própria ética para preencher o mundo com ficções convenientes.
🧶 II. As Cinco Tecelagens
🔮 1. A Telepatia Clínica: Pseudomántis jurava ter o dom de diagnosticar a saúde de Mártys à distância, dispensando diplomas ou o incômodo de realmente examinar o paciente.
🦄 2. O Arquivo de Nárnia: Mencionaram atas de falhas que só existiam no mesmo lugar onde se guardam mapas da Terra Média e certidões de nascimento de unicórnios.
🏚️ 3. O Preconceito de Berço: Sugeriram que a origem humilde de Mártys era um teto intelectual — confundindo, propositalmente, simplicidade com incapacidade.
🧪 4. A Alquimia Narrativa: Transformaram uma remoção feita para proteger a vida do servidor em uma “expulsão por má conduta”.
⛪ 5. A Teocracia Imaginária: Insinuaram que decretos públicos eram assinados por divindades de templos particulares, ignorando o papel timbrado do Estado.
🗄️ III. O Silêncio Ensurdecedor dos Arquivos
📁 Mártys não gritou. Não fez posts indignados. Ele simplesmente abriu as gavetas. De dentro delas, o mundo real emergiu com a sutileza de um tsunami.
🌊 O laudo médico real, com chancela de autoridade, ridicularizava a “vidência” de Pseudomántis. O boletim de ocorrência provava que a remoção era um escudo, não uma espada.
🧮 IV. A Matemática da Calúnia
✍️ Um sábio local resumiu a utilidade das mentiras dos Tecelões em uma equação elegante:
📉 Onde U é a utilidade, V a verdade (tendendo a zero) e M a maldade. O resultado? Uma utilidade nula. Como disse Atena: “A aritmética dos desonestos sempre cobra juros compostos”.
⚖️ V. O Julgamento da Gravidade
🏗️ Não houve teatro. Têmis apenas colocou as mãos na balança. A física foi implacável. A balança pendeu para o documento silencioso com tal força que os Tecelões quase foram catapultados.
📻 Hermes avisou: “Falsificar registros não é arte, é crime. E os arquivos têm uma memória muito mais longa que a sua imaginação”.
📖 VI. A Transmutação dos Termos
🖋️ Onde se lia Expulsão, a lei lia Proteção. Onde se lia Opinião Médica, a lei lia Exercício Ilegal. Inverter nomes não altera a estrutura atômica dos fatos. Chamar arsênico de mel não torna o banquete seguro.
🎈 VII. O Peso do Silêncio
⚓ Mártys viu a visão enviada por Poseidon: a verdade é uma boia. Você pode usar toda a sua força para empurrá-la para o fundo do oceano. No momento em que você soltar, ela voltará à superfície com uma violência proporcional à pressão aplicada.
🔚 Epílogo: O Carimbo Final
🎫 A calúnia é o imposto que a mediocridade cobra do mérito. Enquanto houver uma gaveta com um documento carimbado, a ficção deles não passará de ruído de fundo. A verdade não precisa de ornamentos.
Fábula O Tribunal das Sombras Inventadas e a Balança de Têmis



