Protocolo de Investigação Alegórica
Comando de Análise Moral, Institucional e Simbólica
Estudo de Caso Alegórico: O Bilhete e o EspelhoCITAÇÃO DE ABERTURA
O Arauto que Confundiu o Trono com a Verdade
I. O Templo do Saber: Havia, em certo reino administrativo, um templo dedicado ao ensino. Ali circulavam títulos, normas, protocolos e discursos técnicos. Com o tempo, alguns guardiões do saber passaram a confundir competência funcional com superioridade moral. Entre eles destacava-se um arauto — chamemo-lo Magister Altivo.
II. O Bilhete: Certa tarde, chegou um bilhete simples. Direto, humano, cotidiano. O pedido contido nele não exigia reforma estrutural ou parecer técnico. Era um gesto pequeno — mas carregado de significado afetivo.
III. A Frase: Diante de colegas, o arauto comentou que imaginara ter sido o pedido redigido por alguém “simples”, pois não lhe parecia uma sugestão compatível com critérios que ele julgava adequados.
IV. A Anatomia Simbólica: Quando a palavra “simples” deixa de significar humildade e passa a significar incapacidade, cria-se uma hierarquia silenciosa onde quem domina a norma culta é supostamente mais apto. Não é a discordância que fere; é a presunção de superioridade embutida nela.
V. O Espelho: No corredor daquele templo havia um espelho que refletia postura, não aparência. A questão central não é o erro pontual, mas a ausência de autocrítica diante do próprio lugar de poder.
VI. A Instituição como Eco: Instituições falam também pelos silêncios. Quando uma fala depreciativa circula sem reflexão, o ambiente aprende algo — e o que se aprende em silêncio costuma ser o que mais se repete.
VII. O Núcleo Ético: A verdadeira grandeza pedagógica não está em avaliar a forma do pedido, mas em compreender a necessidade humana por trás dele. Educação é mediação de dignidade.
ENCERRAMENTO REFLEXIVO
A medida de um educador não está apenas no que domina tecnicamente, mas na forma como reage quando o mundo lhe chega sem verniz, sem retórica e sem currículo.
CURADORIA FINAL
- A palavra “simples” pode ser elogio, constatação ou uma fronteira social disfarçada.
- O verdadeiro teste do saber não é identificar erros alheios; é reconhecer quando o próprio discurso precisa de revisão.


