Fábula
O Lobo Escriba e o
Cordeiro que Sabia Ler
Nos campos verdejantes da Jurisprudência, onde as leis são escritas em pergaminhos dourados, vivia um Cordeiro que, embora pacato, possuía uma visão mais afiada que a de muitas águias. Ele esperava, há tempos, por um pote de cereais que o Leão Juiz havia prometido após uma longa disputa por um pasto.
Escondido atrás de uma pilha de velhos editais, o Lobo Escriba observava. O Lobo não era de caçar no grito; ele preferia a astúcia da tinta e da pena.
Certo dia, o Cordeiro recebeu uma mensagem levada por um pombo-correio. No papel, a foto da Ovelha Advogada, sua defensora de confiança. A mensagem dizia: — “Parabéns, meu caro! O pote de cereais foi liberado. Mas, para que eu possa carregar a carroça até você, preciso que me envie três moedas de prata agora mesmo para pagar o pedágio da ponte.”
O Cordeiro sentiu o coração saltar de alegria. O pote de cereais! Finalmente! Ele já ia buscar as moedas, quando parou e aproximou o bilhete dos olhos.
Havia algo estranho. Sua advogada se chamava Ovelha Cardoso. Mas, no bilhete, o escriba, apressado pela própria ganância, assinara como “Ovelha Cardozo”. Um Z intruso, uma letra trapaceira que não pertencia àquela linhagem.
O Cordeiro, em vez de correr para o cofre, caminhou calmamente até o escritório real da Ovelha. Ao chegar lá, encontrou-a tosquiando papéis, sem saber de bilhete algum. — “Minha cara,” disse o Cordeiro, “parece que um Lobo tentou usar sua lã para costurar um golpe. Ele esqueceu que, quem conhece o pastor, não se engana com o sotaque do lobo.”
O Lobo, vendo de longe que a carroça do golpe havia atolado na própria lama, fugiu para a floresta, procurando outra presa que estivesse cega pela pressa.
Moral da Fábula
A ansiedade é o nevoeiro preferido dos lobos.
Quando a promessa for grande e o pedido for urgente,
olhe para as letras miúdas: é nos pequenos detalhes que
a mentira perde o equilíbrio e cai.
Curadoria simbólica e adaptação alegórica
👨🏫 Professor Théo Oliveira

